(Marcelo Lopes)
De onde vem essa voz?
Que sai de corpo tão frágil e pequenino?
É um encanto que puseram em nós?
Ou retornei ao meu tempo de menino?
Quando as sereias habitavam mares e rios
E enfeitiçavam marinheiros e clandestinos
Que pulavam, se jogavam e sumiam no vazio
Ao ouvir seu canto... em sonho... em desatino.
Homem feito, deparo com o sonho incorporado.
Encantada, a sereia, em palco, se manifesta
Ao meu tempo de menino sou levado
-Era esta a voz da sereia, era esta, era esta!
Os pés descalços da sereia
Dançam com leveza de pluma.
Suaves, deslizam pelo espaço,
Seu palco é sua água; é sua espuma...
Os braços a romper o vazio
Em gestos que beiram a feitiçaria.
Pela espinha nos desce um arrepio
Hipnotizados, ei-nos marinheiros de hoje em dia.
Ao emitir seu canto, um chicote traz na mão.
Rainha dos raios chicoteia, risca o céu num clarão.
Misto de Iansã e de Sereia, de raio e de trovão.
De sua boca sai o pranto, sai o riso, a alma, o coração...
Tal como médium, recebe e incorpora
Em cada número, dela própria uma versão.
Convivem ambas, menina e senhora
Maricotinha, Luz da Noite, Drama, Opinião!
O chicote pousado no chão é sinal de despedida
Junto à boca de cena, a reverência comovida
Qual trapezista no último salto, mandou beijos e partiu
E com os braços para o alto, voltou, aos pulos,
Para o reino encantado de onde saiu!
De onde vem essa voz?
Que sai de corpo tão frágil e pequenino?
É um encanto que puseram em nós?
Ou retornei ao meu tempo de menino?
Quando as sereias habitavam mares e rios
E enfeitiçavam marinheiros e clandestinos
Que pulavam, se jogavam e sumiam no vazio
Ao ouvir seu canto... em sonho... em desatino.
Homem feito, deparo com o sonho incorporado.
Encantada, a sereia, em palco, se manifesta
Ao meu tempo de menino sou levado
-Era esta a voz da sereia, era esta, era esta!
Os pés descalços da sereia
Dançam com leveza de pluma.
Suaves, deslizam pelo espaço,
Seu palco é sua água; é sua espuma...
Os braços a romper o vazio
Em gestos que beiram a feitiçaria.
Pela espinha nos desce um arrepio
Hipnotizados, ei-nos marinheiros de hoje em dia.
Ao emitir seu canto, um chicote traz na mão.
Rainha dos raios chicoteia, risca o céu num clarão.
Misto de Iansã e de Sereia, de raio e de trovão.
De sua boca sai o pranto, sai o riso, a alma, o coração...
Tal como médium, recebe e incorpora
Em cada número, dela própria uma versão.
Convivem ambas, menina e senhora
Maricotinha, Luz da Noite, Drama, Opinião!
O chicote pousado no chão é sinal de despedida
Junto à boca de cena, a reverência comovida
Qual trapezista no último salto, mandou beijos e partiu
E com os braços para o alto, voltou, aos pulos,
Para o reino encantado de onde saiu!
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